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Antes do ELISA: como a fase pré-analítica pode influenciar seus resultados?

Antes do ELISA: como a fase pré-analítica pode influenciar seus resultados?

Em um experimento científico, é natural que a atenção esteja concentrada na execução da metodologia: escolha do kit, diluições, incubação, lavagem, leitura e análise dos resultados.

Entretanto, existe uma etapa que acontece antes mesmo de o experimento começar e que pode influenciar significativamente a qualidade dos dados obtidos: a fase pré-analítica.

Para ensaios que utilizam soro ou plasma, fatores relacionados à coleta, processamento e armazenamento podem modificar as características da amostra e, consequentemente, interferir na interpretação dos resultados.
 

O resultado começa na coleta

A obtenção de uma boa amostra é o primeiro passo para um experimento confiável.

Durante a coleta, fatores como manipulação excessiva, dificuldade de obtenção da amostra ou condições inadequadas podem favorecer a ocorrência de hemólise.

A hemólise provoca a liberação do conteúdo das células sanguíneas no soro ou plasma. Dependendo do biomarcador e da metodologia utilizada, essa alteração pode interferir na análise.

Por isso, além de utilizar um bom kit ELISA, é importante estabelecer um procedimento de coleta padronizado para todas as amostras do estudo.


O processamento também importa

Após a coleta, o tempo até a separação do soro ou plasma e as condições utilizadas durante esse processo devem ser considerados.

Quanto maior a variação entre as amostras, maior pode ser a dificuldade para distinguir uma alteração biológica real de uma variação provocada pelo próprio processamento.

Em estudos que envolvem grandes grupos experimentais ou acompanhamento longitudinal, essa padronização se torna ainda mais importante.



Armazenamento: cuidado com o tempo

Nem todos os biomarcadores apresentam a mesma estabilidade.

Alguns analitos permanecem relativamente estáveis durante determinados períodos, enquanto outros podem sofrer degradação ou alteração de concentração dependendo das condições de armazenamento.

Por isso, fatores como:

devem ser considerados no planejamento experimental.

Não existe uma única condição de armazenamento que seja ideal para todos os biomarcadores. A estabilidade deve ser avaliada de acordo com o analito e o método utilizado.
 

O problema dos ciclos de congelamento e descongelamento

Imagine que uma única amostra seja retirada do freezer várias vezes durante um projeto.

Cada descongelamento pode representar uma oportunidade para alterações na estabilidade de determinados componentes da amostra.

Por isso, quando o desenho experimental permitir, a aliquotagem pode ser uma estratégia interessante.

Ao dividir a amostra em volumes menores antes do congelamento, é possível utilizar somente a quantidade necessária para cada análise, reduzindo descongelamentos repetidos.


E a lipemia?

A presença excessiva de lipídios pode deixar o soro ou plasma com aspecto turvo, caracterizando uma amostra lipêmica.

Assim como acontece com a hemólise, a influência da lipemia não é igual para todos os ensaios.

Dependendo do biomarcador e da metodologia, a alteração da matriz pode interferir na análise.

Por isso, registrar e considerar as características das amostras pode ser especialmente importante em estudos que buscam alta precisão e reprodutibilidade.
 

Quando a variação não é biológica?

Esse é um dos pontos mais importantes para pesquisas que acompanham um biomarcador ao longo do tempo.

Imagine um estudo no qual a concentração de determinado analito aumentou entre dois momentos.

A primeira interpretação pode ser que houve uma alteração fisiológica ou patológica.

Mas e se as amostras foram:

 

Nesse cenário, parte da diferença observada pode estar relacionada às condições pré-analíticas.

É por isso que padronizar o tratamento das amostras é essencial para interpretar corretamente os resultados.
 

Como estabelecer uma boa rotina pré-analítica?

Uma estratégia eficiente é definir o procedimento antes do início do experimento.

1. Padronize a coleta

Utilize procedimentos semelhantes entre indivíduos e grupos experimentais.

2. Defina o processamento

Estabeleça critérios para tempo, centrifugação e separação do material.

3. Avalie a qualidade

Observe possíveis alterações como hemólise ou lipemia e registre essas informações.

4. Planeje o armazenamento

Defina previamente as condições de temperatura e tempo.

5. Utilize aliquotas

Quando apropriado, divida as amostras para minimizar descongelamentos repetidos.

6. Mantenha registros

Documentar as condições das amostras facilita a interpretação e a reprodução do estudo.

7. Padronize o ensaio

Utilize condições consistentes durante a execução do ELISA e siga as recomendações específicas do kit.


E os reagentes?

Depois de controlar a fase pré-analítica, chegamos à execução do ensaio.

Aqui, a qualidade dos kits ELISA, anticorpos e reagentes auxiliares também desempenha um papel fundamental.

Buffers, soluções de bloqueio, reagentes de lavagem e substratos, por exemplo, participam diretamente de diferentes etapas dos protocolos e podem influenciar a qualidade do sinal e a especificidade da análise.

Por isso, podemos pensar no resultado final como uma cadeia:

Amostra → Processamento → Armazenamento → Reagentes → Protocolo → Detecção → Resultado

Se uma dessas etapas apresenta grande variabilidade, a interpretação dos dados pode se tornar mais difícil.
 

Qualidade começa antes da placa

Um ELISA bem executado depende de muito mais do que uma boa leitura de absorbância.

A qualidade da amostra, a padronização do processamento, as condições de armazenamento e a escolha dos reagentes trabalham em conjunto para produzir resultados confiáveis.

No LEAC, pesquisadores encontram soluções para diferentes etapas da pesquisa, incluindo kits ELISA, anticorpos e reagentes auxiliares.

🔬 Porque uma pesquisa de qualidade começa muito antes do primeiro poço da placa.

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